O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF),
declarou a ilegalidade de ato do Tribunal de Contas da União (TCU) que
cancelou a aposentadoria de um servidor no cargo de motorista da Agência
Brasileira de Inteligência (Abin) em razão da acumulação com proventos
de aposentadoria como motorista da Polícia Civil de São Paulo. Ao
conceder o Mandado de Segurança (MS) 25151, o ministro explicou que a
proibição ao acúmulo de proventos não se aplica ao caso do servidor, já
que os requisitos para as aposentadorias foram cumpridos antes da Emenda
Constitucional (EC) 20/1998, que vedou o recebimento de proventos
relativos a cargos inacumuláveis na ativa.
No mandado de segurança, o servidor questionou o ato do TCU que
considerou ilegal o recebimento dos dois benefícios. O tribunal cancelou
o benefício referente à Abin, mas dispensou a devolução dos valores
pagos pelo fato terem sido recebidos de boa-fé. O servidor defendeu a
legalidade dos proventos, uma vez que se aposentou do primeiro cargo
antes da vigência da Constituição Federal de 1988, quando vigorava a
permissão prevista no artigo 99, parágrafo 4º, da EC 1º/1969, e se
aposentou do segundo cargo antes da entrada em vigor da EC 20/9198, que
proibiu o acúmulo de aposentadorias em cargos que não podem ser
exercidos ao mesmo tempo na ativa. Em dezembro de 2014, o relator já
havia deferido liminar para suspender os efeitos de acórdão questionado.
Concessão da segurança
Ao decidir, o relator observou que o impetrante se aposentou no cargo
de motorista da Polícia Civil do Estado de São Paulo em 24 de maio de
1983, quando ainda vigente o texto constitucional de 1967/69. Em 11 de
novembro de 1997, data anterior à entrada em vigor da EC 20/1998,
aposentou-se no cargo de motorista da Abin.
O ministro Gilmar Mendes ressaltou que o Supremo Tribunal Federal tem
jurisprudência no sentido da legalidade da acumulação de proventos para
aposentadorias cujos requisitos foram preenchidos antes da entrada em
vigor da EC 20/98. “Assim, a vedação de acumulação de aposentadorias em
cargos inacumuláveis na ativa não o atinge”, concluiu.
Processos relacionados
MS 25151
MS 25151
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